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Carnaval 2022: 'Países fecham com 5 casos, temos 2.500 e tenho que responder se vamos botar milhões de pessoas na rua', diz governador

Rui citou dados sobre o crescimento de casos de Covid-19 no mundo, para argumentar sobre o risco de autorizar festa com milhões de pessoas na rua

18/11/2021 14h58 Atualizada há 2 semanas
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Por: Redação Fonte: G1-BA
Foto: Reprodução/TV Bahia
Foto: Reprodução/TV Bahia

O governador Rui Costa voltou a falar sobre a pressão que tem recebido de representantes do Conselho Municipal do Carnaval (Comcar) e da comissão de vereadores de Salvador, sobre a realização do carnaval de 2022.

Em entrevista, Rui citou dados sobre o crescimento de casos de Covid-19 no mundo, para argumentar sobre o risco que é autorizar uma festa com milhões de pessoas na rua, sem a capacidade de conferir cartões de vacinação e o uso de máscaras.

"As pessoas, em uma sede de realizar o seu sonho festivo e empresarial, estão se esquecendo do drama que a gente viveu em um ano e meio. Eu não colocarei a população em risco. Não vou colocar minha cabeça no travesseiro e ficar, eventualmente, me lamentando por ser responsável por dezenas ou centenas de mortes, com a realização de um carnaval, quando eu tenho no dia de hoje em torno de 2.500 casos positivos", argumentou.

"Os países estão fechando cidades quando aparecem cinco casos. A China, quando aparece um caso, fecha a cidade. Nós temos 2.500 casos e a pergunta que eu tenho que responder todo dia é se teremos carnaval, se nós vamos botar três milhões de pessoas na rua. De fato, eu tenho dificuldade de entender isso, que mundo é esse que estamos vivendo, que sociedade é essa, que o grande anseio das pessoas e saber se vamos ter um carnaval".

O governador também falou sobre os eventos que estão liberados atualmente. Até a sexta-feira (19), estão autorizadas as festas com público de até três mil pessoas. Ele criticou duramente os realizadores desses eventos, que não têm cobrado o estabelecido em decreto estadual.

"Nós liberamos eventos e, infelizmente, as informações que eu recebo é de que não estão respeitando a exigência, por exemplo, de vacinação. As festas que estão acontecendo no litoral, na cidade, as pessoas não estão usando máscara. As pessoas chegam com qualquer papel na portaria, fazem de conta que estão apresentando um comprovante e ninguém checa a autenticidade do papel. As festas estão sendo feitas sem nenhuma verificação, inclusive de que as pessoas que estão lá estão vacinadas. Então, o dinheiro não pode estar acima da vida das pessoas e da saúde das pessoas", ponderou.

"As mesmas pessoas que estão pedindo para liberar mais público em festa, são as mesmas que ao organizarem festas não têm sensibilidade humana para, pelo menos exigir que quem entre em suas festas, estejam apresentando atestado de vacinação".

Ainda com relação aos decretos, Rui também avisou que o Estado não tem como monitorar a realização das festas em todas as cidades. Ele apelou para os prefeitos, para que fiscalizem as ações, e reiterou que ainda não vai decidir sobre o carnaval. .

"O estado sozinho não tem capilaridade para manter uma rede de fiscalização. Eu vou apelar e estou apelando para os municípios da Bahia, que têm a Vigilância Sanitária, que é a quem cabe essa fiscalização. Eles sim possuem essa capilaridade. Eu vou apelar para que os prefeitos façam cumprir os seus próprios decretos, não só o decreto estadual, de exigência da vacinação, porque senão nós estamos colocando todos em risco.

"Eu não tomarei medida de liberação de carnaval ou qualquer outro evento público e estou informando as prefeituras. Quem fizer atividade de rua, desrespeitando o decreto, não terá a participação do estado e da Polícia Militar. Quero avisar a toda a população que não se coloque em risco, porque nós não apoiaremos esse tipo de eventos que não respeitam a vida humana e a saúde do próximo".

Comparação com casos no mundo

Nas últimas semanas, o governador estava em viagens oficiais, participando de eventos e reuniões relacionados à economia da Bahia. Ele falou sobre a seriedade com que a pandemia segue sendo tratada fora do Brasil.

"Eu acabei de chegar de viagem, de vários países. Fui no Oriente [Médio], fui na Europa, e eu, governador, com passaporte diplomático, para entrar em um restaurante, tinha que apresentar meu atestado de vacinação. Em alguns lugares, para entrar, além do atestado de vacinação, eu tinha que apresentar um exame de PCR, com resultado em menos de 48 horas", contou.

"Então, a gente vê esse nível de seriedade em vários lugares, e aqui a gente libera eventos, festas, e as pessoas sequer exigem o uso da máscara, ou o atestado de vacinação, desrespeitando o que estamos fazendo. Então essas pessoas não estão contribuindo para que as coisas voltem à normalidade, e para que a gente vença o vírus".

Ele também comparou as restrições que os países europeus estão enfrentando com o aumento de casos da Covid-19, com a atual situação do Brasil.

"Hoje pela manhã, mais uma vez, eu abri as notícias do mundo inteiro e mais uma vez o que a gente vê de lá de fora é o forte agravamento das doenças nos países da Europa. Já temos o quarto ou quinto país da Europa que, nesta semana, anunciou fortes restrições de circulação de pessoas em função do crescimento da pandemia. No caso da Alemanha, temos a maior taxa de contaminação desde o início da pandemia, neste momento. Na Rússia, o maior número de mortes, em 24 horas desde o início da pandemia, está acontecendo neste momento".

"O que esse vírus está ensinando à humanidade, é que precisamos ter mais humildade. Precisamos apostar mais na ciência, no conhecimento e na medicina. Acho que algumas pessoas, mesmo com um ano e meio de pandemia, não conseguiram ser tocadas por essa mensagem, de amor ao próximo e de respeito à vida humana, de humildade".

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