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SAÚDE COVID-19

Covid-19: cepa indiana ameaça tornar pior a terceira onda

Ministério diz estar preocupado com a inversão da curva de infecções pela covid-19, que voltou a mostrar crescimento, pressionando o sistema de saúde. Para deixar a situação mais grave, já são sete os casos registrados da variante do novo coronavírus vinda do exterior

27/05/2021 15h58
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Por: Redação Fonte: Correio Braziliense
Foto: Nelson Almeida/AFP
Foto: Nelson Almeida/AFP

O governo federal está diante de três grandes preocupações: a possibilidade de uma terceira onda da pandemia do novo coronavírus, como admitiu, ontem, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, o que levaria à necessidade de ação de restrições por parte dos municípios para conter o avanço da doença; o avanço da cepa indiana, que depois do Maranhão e do Ceará, transitou por São Paulo e pelo Rio de Janeiro; e a hipótese de essa nova mutação do vírus piorar a terceira onda, seja pela velocidade de infecção ou por tornar o agente infeccioso ainda mais agressivo e letal.

Ao todo, são sete os registros da nova variante no Brasil: seis de um navio chinês que está fundeado na Baía de São Marcos, no Maranhão, e o passageiro vindo da Índia que entrou no país pelo aeroporto de Guarulhos e está isolado em Campos dos Goytacazes, no norte fluminense. “A terceira onda é uma preocupação. Assistimos, agora, a uma redução da tendência de queda de óbitos. Isso pode ser resultado da flexibilização das medidas de bloqueio. Quando se abre, naturalmente surgem novos casos. Se essa tendência é desmesurada, vai ter uma nova pressão ao sistema de saúde, que posteriormente se reflete em óbitos. Mas também pode ser fruto de uma variante e ainda não temos essa resposta”, explicou Queiroga, em audiência pública na Câmara dos Deputados.

De acordo com Julio Croda, médico infectologista e pesquisador da Fiocruz, a tendência de uma terceira onda se deve, em grande parte, à flexibilização das medidas restritivas mesmo com taxas de ocupações hospitalares altas: “A flexibilização não veio em um momento oportuno, já que a maioria dos estados apresentava a taxa de ocupação acima de 80%”, observou. Para Croda, a cepa indiana também pode ser um agravante “É mais transmissível e apresenta uma resposta autoimune maior. Por isso, pode rapidamente se tornar predominante no Brasil”, previu.

Alexandre Naime Barbosa, chefe do Departamento de Infectologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), compartilha da preocupação em relação à variante indiana. “Uma pessoa que pega essa variante tem mais chances de transmitir a doença do que uma que pegou o vírus original. Estamos estudando se essa variante pode levar a casos mais graves se comparada com o vírus original”, afirmou.

Recrudescimento

O novo Boletim do Observatório Covid-19, elaborado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e divulgado ontem, alerta para o recrudescimento da pandemia nas próximas semanas. Mostra que houve um aumento das taxas de incidência de casos novos da covid-19 entre 16 e 22 de maio. “O aumento no número de internações, demonstrado pelo novo aumento das taxas de ocupação dos leitos de UTI é resultado desse novo quadro da pandemia no Brasil”, ressalta o boletim.

O boletim da Fiocruz mostra, também, que, entre os dias 17 e 24 de maio de 2021, as taxas de ocupação de leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) de covid-19 para adultos no Sistema Único de Saúde (SUS) aumentaram ou se mantiveram estáveis, em níveis elevados, em praticamente todo o Brasil. Isso reforçaria a avaliação de que a tendência de queda, que vinha sendo observada até por volta do dia 10 deste mês, se interrompeu.

O Brasil registrou, ontem, 2.398 mortes causados pela covid-19, de acordo com os dados do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) — totalizando 454.429 óbitos. O levantamento, que compila dados de secretarias de Saúde dos 26 estados e do Distrito Federal, apontou ainda 80.486 novos casos de covid-19 nas últimas 24 horas, com um total de 16.274.695 registros desde o início da pandemia.

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