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Manifestações contra a reforma tributária na Colômbia provocam a morte de 19 pessoas

A Defensoria do Povo também estima que os atos iniciados no dia 28 de abril já deixaram mais de 800 feridos

04/05/2021 09h28
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Por: Redação Fonte: DIÁRIO DO NORDESTE
Foto: Luis Robayo/AFP
Foto: Luis Robayo/AFP

O sexto dia de manifestações maciças contra a reforma tributária na Colômbia, nessa segunda-feira (4), fez o país atingir a marca de 19 mortos, mais de 800 feridos e provocou o pedido de renúncia por parte do ministro da Fazenda, Alberto Carrasquilla.

O balanço de vítimas nos protestos iniciados em 28 de abril, foi atualizado à tarde pela Defensoria do Povo, que fiscaliza as ações do governo colombiano. Já o Ministério da Defesa calcula 846 feridos, entre civis e policiais. 

Somente na madrugada de segunda-feira, um novo massacre no município de Restrepo, no Vale do Cauda, Sudoeste da Colômbia, deixou seis mortos. Segundo comunicado da polícia, "vários indivíduos que circulavam em motocicleta" atiraram contra o grupo "sem trocar palavras".

Três vítimas morreram no bar onde foram atacadas e as demais em uma unidade de saúde. As autoridades não deram pistas sobre a identidade dos atacantes ou sua motivação.

Houve ainda atos de vandalismo em 69 estações de transporte, 36 caixas eletrônicos, 94 bancos, 14 pedágios e 313 estabelecimentos comerciais, segundo cifras oficiais. 

Até o último informe, as autoridades prenderam 431 pessoas durante os distúrbios e o governo ordenou o envio de militares para as cidades mais afetadas.

Diante da violência instalada no país como efeito das críticas ao projeto de reforma tributária, Alberto Carrasquilla renunciou ao cargo de titular do Ministério da Fazenda.

"Minha continuidade no governo dificultaria a construção rápida e eficiente dos consensos necessários" para executar uma nova proposta de reforma, informou em um comunicado.

Carrasquilla será substituído pelo economista José Manuel Restrepo, atual ministro do Comércio, anunciou o presidente Iván Duque em publicação no Twitter.

O QUE ESTÁ ACONTECENDO NA COLÔMBIA

Segundo o ministro da Defesa, Diego Molano, os episódios de violência foram "premeditados, organizados e financiados por grupos dissidentes das Farc" que se afastaram do acordo de paz assinado em 2016, e pelo ELN, a última guerrilha reconhecida na Colômbia. 

Pressionado pelas manifestações nas ruas, o presidente Duque ordenou no domingo a retirada da proposta que era debatida com ceticismo no Congresso, onde um amplo setor a rejeitava por punir a classe média e ser inadequada em meio à crise desencadeada pela pandemia de coronavírus.

violência na colômbiaUm manifestante chegou a ser atingido por um coquetel molotov lançado durante confrontos com policiais de choque Foto: Luis Robayo/AFP

O presidente propôs a elaboração de um novo projeto que descarta os principais pontos de discórdia: o aumento do ICMS sobre serviços e mercadorias e a ampliação da base de contribuintes com imposto de renda. 

Contudo, as manifestações continuam, ainda que em menor escala. Nessa segunda, houve atos as ruas de Bogotá, Medellín (noroeste), Cali (sudoeste) e Barranquilla (norte). 

Os organizadores convocaram uma nova marcha para esta quarta-feira (5), apesar de já estarem em vigor nas principais capitais medidas que limitam a mobilidade para conter a terceira onda da pandemia.

REFORMA TRIBUTÁRIA

O governo apresentou a reforma tributária ao Congresso em 15 de abril como uma medida para financiar os gastos públicos na quarta maior economia da América Latina. 

As críticas, porém, vieram tanto da oposição política quanto de seus aliados, e o descontentamento logo se espalhou pelas ruas. Isso porque, o projeto de Duque visava arrecadar cerca de 6,3 bilhões de dólares entre 2022 e 2031, para resgatar a economia. 

Em seu pior desempenho em meio século, o Produto Interno Bruto (PIB) do país despencou 6,8% em 2020 e o desemprego subiu para 16,8% em março. 

Quase metade dos 50 milhões de habitantes está no setor informal e a pobreza atinge 42,5% da população. 

“As pessoas nas ruas estão exigindo muito mais do que a retirada da reforma tributária”, disseram os líderes da manifestação em um comunicado. 

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