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ENTRETENIMENTO ARTE

Futurismos Ladino Amefricanas lança dia 24 de março revista online como recurso-memória em mensagem ao futuro do Brasil

Revista visa dar visibilidade a artistas pretos e pretas

17/03/2021 10h54 Atualizada há 2 meses
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Por: Josivan Vieira
Foto: Adeloya Magnoni
Foto: Adeloya Magnoni

Futurismos Ladino Amefricanas (F.L.A), plataforma idealizada pela feminista negra, pesquisadora, produtora cultural e multiartista Sanara Rocha, lança dia 24 de março a primeira edição de sua revista virtual, que versa nas perspectivas das pessoas negras e indígenas urbanas do Brasil. Com a realização de duas lives bate-papos nos dias 24 e 25 de março, ambas às 20h, a publicação se transformará em uma mensagem para o futuro e ficará disponível, de forma permanente, na plataforma Issuu, com link disponibilizado no Instagram do projeto (@futurismos_la). 

Através de ensaios poéticos sobre uma terra que ainda nos é desconhecida e com referência no conceito  Ladino Amefricanidade da intelectual Lélia Gonzalez, a revista  mira em reflexões sobre o Brasil por meio do olhar futurista, com fotografias e escritas da realizadora e das artistas Tina Melo, Laís Machado, Diego Alcântara, Xan Marçal, Laura Franco e Luiz Guimarães. No dia 24 de março, estes participam de lives que trazem suas trajetórias e vivências, tensionando os limites que as categorias de identidade apresentam. E no dia 25 de março a Live bate-papo contará com a presença de Márcia Kambeba, mulher indígena pertencente ao povo Omágua/Kambeba do Amapá, Multiartista com reconhecimento internacional, liderança do Povo Kambeba e Vice Presidente da Associação dos povos Indígenas de Belém Wika Kwara.  

A publicação tem Mari Paim como editora e curadora textual, ao lado de Sanara Rocha, que ao dividir a função conduzem  a linha editorial da revista de forma primorosa, fortalecendo a busca pela coletividade presente no projeto. Além de trazer questões estruturais na construção do país, da ideia de nação brasileira, e a quem serve transformar a sociedade em homogênea, é pela via biográfica e poética das convidadas(es), que não só a crítica sobre violências estarão presentes na edição realizada por ambas, mas a coletividade como força motriz para fortalecimento dos símbolos e construção da memória de pessoas diversas, complexas e com particularidades culturais que formam e são a cara do Brasil, que ainda pode e é reinventado através das ressignificações afro-indígenas. 

As escrevivências trazem seus territórios, como os entendem e como refletem em suas artes, extensões das suas estéticas de vida. Dentro dos seus ensaios, estão temas como mestiçagem, branquitude, gênero, colonialidade, disputas narrativas dentro da linguagem popular, entre outros, a partir desse aldeamento entre essas artistas(es) nordestinas e nortistas, que trazem para o centro do debate as questões e tensões estruturais, sexistas e racistas por meio de suas potencialidades.

“Como Lélia nos lançou essa mensagem-conceito na garrafa lá na década de 70 e nos apontou que o Brasil precisaria reparar também o silenciamento das narrativas indígenas, se livrar do imperialismo norte-americano e se entender muito mais negro e indígena do que latino ou ibero-americano se quisesse realmente ser livre, fincamos nossa revista como um caminho, como pistas futuristas desse aquilombamento”, trouxe Sanara Rocha.

A revista online é mais um passo do F.L.A, que abriu com convocatória para artistas pretes e indígenas e a subsequente exposição online Abre O Olho - Jikula Ô Messu. Em seguida, a partir de 05 de abril, o projeto traz a obra multilinguagem A Mulher Sem Cabeça, uma performance-ensaio rito-musical dividida em dois experimentos audiovisuais: uma vídeo-performance intitulada Corpo Ebó, prenúncio para uma ficção futurista amefricana audiovisual intitulada A Mulher Sem Cabeça.

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