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ECONOMIA PETROBRAS

Conselho da Petrobras se reúne hoje para avaliar troca de comando e outros temas. Veja quais

Mudança na diretoria da estatal, política de preços e venda de ativos são temas que estarão na mesa após interferência de Bolsonaro

23/02/2021 10h30
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Por: Redação Fonte: O Globo
Foto: Ricardo Moraes / Reuters
Foto: Ricardo Moraes / Reuters

RIO — O Conselho de Administração da Petrobras  se reúne nesta terça-feira com a missão de discutir e (tentar) resolver temas polêmicos que prometem ditar os rumos da estatal. No centro da discussão está a decisão sobre quem vai comandar a Petrobras, após o anúncio do presidente Jair Bolsonaro, na semana passada, de que o atual presidente, Roberto Castello Branco, será substituído.

O tema levou a CVM a abrir um processo  para apurar a troca de comando na empresa, pois o anúncio de Bolsonaro foi feito à revelia do conselho. Isso derrubou as ações da companhia na Bolsa na segunda-feira. Em dois dias (sexta e segunda), a Petrobras perdeu quase R$ 100 bilhões em valor de mercado.

O Conselho de Administração da estatal tem onze membros, dos quais sete são indicados pelo governo federal, três são representantes dos minoritários e um dos funcionários.

Veja alguns dos temas que serão debatidos:

1. Novo comando da empresa

Originalmente, a pauta da reunião de hoje contava com a recondução de Roberto Castello Branco ao cargo de presidente da empresa. Mas o tema foi retirado da pauta pelo presidente do Conselho, Eduardo Bacellar.

No lugar, entrou o pedido para que seja convocada uma Assembleia Geral Extraordinária com o objetivo de promover a substituição e eleição de membro do Conselho de Administração, e indicando Joaquim Silva e Luna no lugar de Roberto Castello Branco.

Luna é militar e, atualmente, ocupa o cargo de diretor-geral da parte brasileira da usina hidrelétrica de Itaipu.

O tema promete forte discussão, já que há o risco de os membros serem responsabilizados por acionistas na Justiça caso aprovem a realização da assembleia.

Uma fonte lembra ainda que o nome indicado pelo governo para assumir a empresa, o general Joaquim Silva e Luna, precisa ter o aval do Comitê de pessoas da estatal, processo tido como "demorado" por uma das fontes.

Uma dessas fontes observou que para assumir uma estatal é preciso ter dez anos de liderança  e quatro anos de exercício em cargo diretivo. Itaipu não leva em conta essas regras, pois é considerada uma empresa binacional.

2. Política de preços

Embora o assunto não esteja na pauta, o tema será debatido. A expectativa é que a diretoria da estatal indique a intenção de  alterar o período de 12 meses como prazo para alinhar os preços do mercado internacional com os do Brasil.

A ideia é que esse período seja reduzido para algo inferior a três meses, como forma de preservar o caixa da companhia e, assim, tentar evitar a intervenção do governo.

A alta no preço dos combustíveis foi o que levou Bolsonaro a intervir na Petrobras, já que é crescente o descontentamento dos caminhoneiros como o preço do diesel. A categoria é uma das bases políticas do presidente.

3. Venda de ativos

Os conselheiros vão debater algumas operações de vendas da estatal. Hoje, a companhia tem cerca de 50 negócios em reta final de venda, como refinarias.

A meta da empresa é se desfazer de US$ 35 bilhões em ativos entre 2021 e 2025.

Os planos de venda de ativos da Petrobras não estão entre os alvos de críticas do presidente Jair Bolsonaro. Mas, na avaliação de analistas, conselheiros e fontes ligadas à companhia, a indicação do general Joaquim Silva e Luna deve frear tratativas em curso e atrasar negociações.

4. Resultados financeiros

A Petrobras vai divulgar o resultado financeiro em 2020. Mas o tema será apreciado apenas na quarta-feira. 

A estimativa do Ineep  é que, considerando os resultados operacionais de 2020 e as baixas contábeis realizadas no primeiro trimestre de R$ 65,3 bilhões, a estatal registre prejuízo  anual de R$ 49 bilhões.

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