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CRIME ASSÉDIO

Cabo do Exército grava investida e acusa sargento de assédio sexual

"Ele começou a acariciar as minhas pernas, queria fazer sexo oral"

15/02/2021 09h12
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Por: Redação Fonte: UOL
Foto: Reprodução/Globo
Foto: Reprodução/Globo

Com um celular no bolso, um cabo do Exército gravou as investidas de um sargento durante o expediente — e agora ambos são investigados por suposto crime militar. O caso, revelado ontem pelo "Fantástico", da TV Globo, teria acontecido dentro de um prédio no Rio de Janeiro onde moram generais. 

Segundo contou o cabo, que preferiu não se identificar, o sargento Ricardo Godoi era responsável pela administração desse prédio, localizado de frente para a Baía de Guanabara, na Urca. O assédio, disse, teria acontecido quando Godoi o chamou para verificar uma alteração em um apartamento que estava vazio.

"[Então] Ele fecha a porta. Em seguida, a conversa foi distorcendo quando ele me pede para sentar no sofá da sala, começa a fazer elogios do meu porte físico, né, e começa a acariciar as minhas pernas. Ele queria fazer sexo oral", relatou o cabo, que gravou a investida com seu celular. 

“Eu não vou fazer nada, não, só um pouquinho. (...) Passei a chave na porta, ninguém vem para cá agora, não. (...) Se você for legal comigo, eu vou te ajudar”.

Questionado por que teve a ideia de ligar o gravador na primeira vez que encontrava o sargento, o cabo explicou que já tinha ouvido boatos de que Godoi "fazia esse tipo de ato libidinoso no aquartelamento". "A primeira oportunidade que tive, [em que] desconfiei que seria algo fora do serviço, eu consegui gravar esse áudio", disse. 

Na suposta conversa gravada pelo cabo, o sargento ainda promete recompensas — e é instigado a oferecer mais. Em dado momento, é possível ouvir: "R$ 200 só para botar a mão nele?". Segundo o cabo, o dinheiro permitiria a Godoi fazer "qualquer tipo de ato libidinoso ali".

"Eu queria ter a prova concreta de que ele estava fazendo o que fez", justificou o cabo à reportagem. "Na hora, eu pensei em bater, em correr, em fugir. Só que eu consegui ter a frieza, o sangue frio, para poder acabar com esse mal que já vem há muito tempo. No mesmo dia informei o escalão superior e aguardei as medidas serem tomadas".

Conteúdo dos depoimentos 

O "Fantástico" teve acesso ao conteúdo dos depoimentos feitos ao Primeiro Batalhão de Polícia do Exército do Rio, que investiga o caso. Um deles, de um soldado, reforça as suspeitas sobre o sargento, corroborando com os relatos de que os assédios teriam acontecido mais vezes.

"Em 2014, o sargento Godoi o chamou na sala dele — naquele mesmo prédio. O sargento — que estava sentado — teria deslizado a mão por cima da sua mesa de trabalho até encostar na coxa do soldado, que estava em pé. Constrangido, o soldado saiu da sala rapidamente", diz um trecho.

Também em depoimento, Godoi negou as acusações e disse não reconhecer a voz da gravação. Mas ele e o cabo passaram por uma acareação, em que o sargento deu detalhes sobre os dois encontros que tiveram. No primeiro, Godoi diz ter colocado a mão sobre as pernas do cabo e ouvido que "nada era de graça"; no segundo, ele abriu o zíper da calça do cabo e colocou a mão nas suas partes íntimas — mas, acrescentou, houve consentimento.

O "Fantástico" diz ter tentado entrar em contato com a defesa do sargento, mas sem sucesso. A reportagem conversou com três militares que disseram ser vítimas de assédio por parte de Godoi.

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