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Caculé: ADAB proíbe abate animal e açougueiros terão que se adaptar às novas determinações

"A proibição do abate clandestino é uma ação de defesa da saúde pública e ela está sendo feita em todo o estado da Bahia." Afirma o Diretor da ADAB.

17/08/2020 14h43 Atualizada há 1 mês
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Por: Aloísio Costa
Consumidores podem ter que pagar mais caro pelo kg da carga após adoção das novas medidas pela ADAB. Foto ilustrativa.
Consumidores podem ter que pagar mais caro pelo kg da carga após adoção das novas medidas pela ADAB. Foto ilustrativa.

 

Açougueiros que trabalham com o comércio de carne bovina, caprina, suína, peixes e de aves em Caculé, têm até a próxima quarta-feira, 19 de agosto, para se adaptarem às determinações da ADAB – Agência de Defesa Agropecuária da Bahia. A determinação do órgão, feita após fiscalização realizada no município há aproximadamente 15 dias, é de que está proibido o abate animal na cidade e que o produto deve ser adquirido, preferencialmente, nos frigoríficos de Brumado ou Guanambi.

Para alguns açougueiros, ouvidos pela reportagem do Informe Cidade, a exigência da ADAB de que os animais, mais precisamente os bovinos, devam ser abatidos em frigoríficos credenciados ou que a carne seja comprada nesses estabelecimentos, poderá representar um aumento significativo no preço do produto para o consumidor final e até mesmo representar o “abandono” da profissão por alguns açougueiros. Eles apontam uma “inviabilidade econômica” para o ramo e alegam que a medida “aumenta ainda mais a burocracia e dificulta a logística desse trabalho.”

Pequenos criadores de gado temem que medida possa prejudicar a comercialização do animal na região. Foto: Divulgação. 

Além do possível aumento no preço da carne para a população, a determinação da ADAB também pode atingir o criador de gado de corte, principalmente os menores, que têm um pequeno rebanho e que veem, na comercialização de sua criação para os açougueiros locais, uma importante e essencial fonte de renda.

“Após a engorda os animais são vendidos por um valor, de acordo ao seu peso, gerando lucro ao homem do campo da nossa região. Aqui em Caculé isso é uma prática antiga e que perdura até os dias de hoje, porém pode ser bruscamente mudada com essas exigências.” Disse um criador que preferiu não ter sua identidade divulgada.

Para o Zootecnista Tarcísio Ribeiro Paixão, formado pela UESB – Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, a proibição imediata destes abates afeta drasticamente a economia municipal, visto que, boa parte da renda econômica da população vem da pecuária.

No entanto, Tarcísio defende que a fiscalização e regularização do abate animal é fundamental para um controle de qualidade eficiente. Segundo o Zootecnista, “é uma garantia de segurança alimentar e produto de qualidade ao consumidor final, visto que, permite um controle da quantidade e qualidade da carne brasileira.”

Tarcísio ainda chama a atenção para um ponto importante. Ele nos lembra que o Brasil possui regiões de grande deficiência, onde o frigorífico mais próximo pode estar a mais de 100km de distância, o que dificulta essa regularização do abate em regiões pequenas.

“Cabe aos órgãos governamentais fazer políticas de conscientização antes de fechar os empreendimentos e procurar até parcerias que permitam a abertura de um frigorífico que atenda várias regiões.” acrescentou Tarcísio.

Zootecnista acredita que deva haver um consenso entre Governo e comerciantes. Foto: Divulgação. 

 

Maurício Bacelar, Diretor da ADAB.

O Informe Cidade também ouviu o Diretor da ADAB, Maurício Bacelar. À nossa reportagem ele disse que uma das atribuições da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia é “fazer com que só chegue à mesa das famílias dos baianos, produtos de origem animal que tenham sido processados em estabelecimentos devidamente inspecionados pela ADAB ou pelo Ministério da Agricultura.” Bacelar enfatiza que o abate clandestino de animais é um crime e um crime muito grande contra a saúde da população.

“Em primeiro lugar, porque a gente não sabe se esse animal que foi abatido clandestinamente foi morto para ter sua carne comercializada ou se esse animal morreu por qualquer outro motivo e um comerciante ‘inescrupuloso’, está colocando essa carne à venda, colocando em risco a saúde das pessoas.”

Bacelar ressalta que a carne pode ser contaminada por conta do contato que tem com as fezes do próprio animal ou o contato da carne com o chão. O que, segundo ele, já a torna imprópria para o consumo humano. Ele também aponta outro problema que interfere na qualidade da carne que é o transporte incorreto que feito pelos matadouros clandestinos.

“Essas carnes são transportadas de maneira inadequada, sob altas temperaturas, elevando e muito o seu grau de putrefação, colocando em risco a saúde da população.”

O diretor da ADAB afirma que a proibição do abate clandestino é uma ação de defesa da saúde pública e ela está sendo feita em todo o estado da Bahia, de maneira itinerante, para que se garanta produtos de qualidade da mesa da população.

 

 

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